IA Instituto prepara grande pesquisa nacional para mapear a saúde dos brasileiros e orientar políticas públicas
Com levantamentos específicos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, a Pesquisa INARES pretende identificar doenças crônicas, dificuldades de acesso, filas, internações e necessidades de atendimento que nem sempre aparecem nas estatísticas oficiais. Os resultados deverão subsidiar programas de inovação em saúde, especialmente o Saúde Responsiva.

Conteúdo institucional do IA Instituto. A Pesquisa INARES está em preparação; os quantitativos e procedimentos apresentados são previstos no planejamento, não resultados de uma pesquisa concluída.
O IA Instituto — Instituto Inosu Acertas está estruturando uma ampla pesquisa nacional sobre as condições de saúde da população brasileira, com levantamentos estaduais específicos em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro. A iniciativa pretende produzir um diagnóstico sobre o acesso aos serviços de saúde, a incidência autorreferida de doenças crônicas, as dificuldades enfrentadas pelos pacientes e a percepção dos cidadãos sobre o atendimento oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Denominada Pesquisa INARES, a investigação integra a metodologia de diagnóstico Health VUCA Prime, desenvolvida pelo Instituto para identificar necessidades assistenciais, avaliar a capacidade de resposta dos serviços e subsidiar o planejamento de políticas públicas.
O objetivo é conhecer não apenas os atendimentos realizados pelo sistema de saúde, mas também as necessidades que permanecem sem resposta: consultas que não aconteceram, exames que continuam aguardando agendamento, pacientes que interromperam tratamentos e pessoas que, diante das dificuldades de acesso, deixaram de procurar assistência.
A proposta parte de uma distinção fundamental entre os registros administrativos e a experiência real da população. Enquanto os bancos de dados públicos documentam consultas, procedimentos, internações e outros serviços realizados, uma pesquisa domiciliar ou populacional permite investigar demandas que não chegaram a ser registradas.
É o que o Instituto define, em sua metodologia, como “o dado que os sistemas não capturam”.
Uma radiografia da saúde a partir da experiência dos cidadãos
A investigação foi organizada em seis grandes dimensões: Atenção Primária à Saúde, Urgência e Emergência, Internações e Reinternações, Atendimento Especializado, Controle Epidêmico e Saúde Mental.
Os questionários incluem perguntas sobre hipertensão, diabetes, doenças cardiovasculares, renais, respiratórias e neurológicas, além de condições relacionadas à saúde mental.
Também investigam o uso contínuo de medicamentos, a ocorrência de internações e reinternações em até 30 dias, as dificuldades de continuidade do tratamento e a presença de pessoas idosas que necessitam de acompanhamento ou cuidados no ambiente familiar.
Um dos focos centrais está no acesso à rede pública. A pesquisa procura identificar quanto tempo a população espera por consultas nas Unidades Básicas de Saúde (UBS), exames laboratoriais e de imagem, especialistas e cirurgias eletivas.
Também pretende compreender por que determinados pacientes deixam de comparecer às consultas agendadas e o que acontece após o atendimento inicial: se o problema foi resolvido, se houve encaminhamento ou se a pessoa permaneceu sem uma resposta assistencial adequada.
Nas unidades de urgência e emergência, serão investigados a frequência de utilização, os motivos da procura, o tempo de espera, a classificação de risco e a percepção sobre a resolutividade do atendimento.
Outro eixo contempla dengue e medidas de prevenção, enquanto o módulo de saúde mental aborda depressão, ansiedade, acesso ao apoio psicológico e condições relacionadas ao neurodesenvolvimento.
A combinação dessas informações deverá permitir uma análise mais abrangente das necessidades da população, relacionando condições de saúde, utilização dos serviços e barreiras de acesso.
Pesquisa nacional e retratos estaduais
O projeto prevê um levantamento de abrangência nacional, acompanhado de pesquisas específicas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, permitindo observar diferenças entre realidades regionais.
Os instrumentos metodológicos apresentados para o Brasil e para o Rio de Janeiro preveem, cada um, 1.200 entrevistas telefônicas, organizadas em dois grupos de 600 participantes, com módulos temáticos complementares e um bloco demográfico comum.
O planejamento estabelece estratificação por características como idade, sexo, localização territorial e perfil socioeconômico, além de um período previsto de dez dias corridos para a execução de cada etapa de campo.
O modelo estadual do Rio de Janeiro servirá de referência para os levantamentos de Minas Gerais e São Paulo, com adaptações territoriais pertinentes.
A coleta pretende reunir informações capazes de identificar diferenças entre grupos populacionais, condições de saúde e regiões dos estados pesquisados. A análise será organizada em relatórios estatísticos, com estratificações por faixa etária, perfil de risco e território.
Segundo o planejamento apresentado, o custeio da pesquisa será integralmente assumido pelo IA Instituto, que também prevê procedimentos de anonimização e proteção dos dados coletados.
Os levantamentos deverão fornecer subsídios para compreender a situação da saúde nas regiões pesquisadas e identificar prioridades de intervenção, sem substituir as bases epidemiológicas e administrativas já existentes.
Conhecimento para orientar o Saúde Responsiva
Uma das principais aplicações previstas para os resultados está no programa Saúde Responsiva, iniciativa do IA Instituto que reúne diagnóstico da rede assistencial, ferramentas digitais, inteligência artificial e acompanhamento de pacientes, com atenção especial às doenças crônicas não transmissíveis.
O programa procura fortalecer a Atenção Primária à Saúde, ampliar a continuidade do cuidado e apoiar a identificação precoce de situações que podem exigir intervenção das equipes assistenciais.
A partir dos resultados da Pesquisa INARES, será possível aprofundar a compreensão sobre a demanda por consultas, exames e serviços especializados, além de investigar a frequência de reinternações, as dificuldades de adesão aos tratamentos e os fatores associados à procura por unidades de urgência.
Essas informações poderão subsidiar estratégias como reorganização do acesso às UBS, acompanhamento de pacientes crônicos, comunicação ativa com usuários e planejamento de ações preventivas.
A proposta do Saúde Responsiva também contempla ferramentas digitais de relacionamento com a população, monitoramento de condições de saúde e organização de informações para apoiar profissionais e gestores na coordenação do cuidado.
Nesse contexto, a pesquisa representa uma etapa importante para orientar a implantação e a avaliação das soluções propostas, buscando aproximar o planejamento das necessidades efetivamente identificadas nos territórios.
Da informação à transformação das políticas públicas
Além de apoiar os projetos do próprio Instituto, os resultados poderão contribuir para estudos, diagnósticos e propostas de políticas públicas voltadas a municípios, estados e instituições de saúde.
A expectativa é que o levantamento ajude a identificar situações de vulnerabilidade assistencial, dimensionar necessidades ainda não atendidas e oferecer novos elementos para o planejamento de serviços.
A produção de conhecimento territorializado também poderá favorecer comparações entre diferentes regiões, permitindo compreender como fatores demográficos, socioeconômicos e assistenciais interferem na experiência da população com o sistema de saúde.
Para o IA Instituto, a Pesquisa INARES integra uma estratégia mais ampla de utilização da ciência de dados, da pesquisa social e da inteligência artificial no desenvolvimento de soluções para desafios públicos.
A iniciativa parte do entendimento de que transformar a saúde exige conhecer não apenas a estrutura e a produção dos serviços, mas também a realidade vivida por quem depende deles.
Mais do que produzir estatísticas, a Pesquisa INARES pretende contribuir para transformar a experiência dos cidadãos em conhecimento capaz de orientar decisões, prevenir problemas e melhorar a resposta dos serviços de saúde.
Em um país de dimensões continentais e profundas desigualdades regionais, compreender onde estão as necessidades, quem enfrenta as maiores dificuldades e por que determinados cuidados não chegam à população pode representar um passo importante para construir políticas públicas mais eficientes, preventivas e responsivas.
Sobre o IA Instituto
O Instituto Inosu Acertas é uma organização da sociedade civil voltada ao desenvolvimento de programas de inovação, pesquisa e aplicação de inteligência artificial em áreas estratégicas, como saúde, educação, meio ambiente e gestão pública.
Entre suas iniciativas está o Saúde Responsiva, programa direcionado à modernização da atenção à saúde, à coordenação do cuidado e à utilização de tecnologias inteligentes para apoiar profissionais, gestores e pacientes.
Saiba mais: www.iainstituto.org.br
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